Sufismo

O Caminho do Buscador

Há, no Ocidente, muita confusão, muitos mal entendidos acerca da Tradição Sufi de ensinamento e do desenvolvimento interior do indivíduo. A Tradição Sufi é, como tem sido sempre, uma ciência exata, não se encaixando dentro da série de “ismos” que marcam muitas filosofias populares.

A Tradição – como nós que nascemos nela, a ensinamos e representamos – não é uma doutrina híbrida, embora muitos comentaristas ocidentais tenham tentado provar suas raízes gregas. A Tradição foi desenvolvida por homens de grande habilidade, dedicação e visão – homens que superaram barreiras políticas, sociais, culturais e físicas numa busca incessante pelo conhecimento que possibilitaria à Humanidade desenvolver-se.

Os primeiros santos e místicos Sufis procuraram ensinar, escrever, e criar versos para devolver ao homem o conhecimento esotérico que as religiões estabelecidas já não podiam oferecer. Os fundadores do pensamento Sufi enfrentaram a constante oposição de figuras do “Establishment” durante suas vidas. Seus escritos e seus versos sobreviveram aos que os acusaram de heresia ou coisa pior.

Eles identificaram a necessidade no Homem. Eles identificaram o anseio, não por mais e mais palavras e consolo, mas por um ensinamento que pudesse transcender tempo e espaço, raças e religiões, orgulho e preconceitos. Da nobre lista de Mestres da Tradição constam nomes como os de al-Ghazzali, Hafiz, Jami, Saadi, Salman i-Farsi, Omar Khayyam, Rumi, al-Beirun, que são apenas alguns, dos luminares cujas obras foram aclamadas em todo o mundo.

Estes homens, durante toda a sua vida, esquivaram-se à notoriedade e aos aplausos do “Establishment” e dos intelectuais – sua tarefa era construir, e de fato construíram. Com seus livros, poesia e sabedoria, deixaram os alicerces da filosofia viva, que aqueles que estão fora da Tradição chamam de “Sufismo”.

Sua motivação, sua missão, era delinear um caminho no qual o homem, uma vez seguramente engajado, pudesse aspirar a uma consciência permanente mais elevada, e, nesse estado, pudesse ter esperanças concretas de compreender-se a si mesmo e a sua relação com seu Deus.

Este caminho não é para todos, pois não é feito apenas de rosas e violinos – é um caminho morro acima, repleto de confusão enquanto o homem luta com seus condicionamentos, mas é um caminho cheio de calor, de luz e de amor.

Aqueles de nós que fomos afortunados o bastante para ter nascido ou para haver ingressado na Tradição, dizemos a todos: abram e leiam estas páginas; pode haver um caminho para vocês.

Omar Ali-Shah
Surrey, Inglaterra
Agosto de 1988

(retirado da Introdução do livro O Caminho do Buscador – Editora Dervish)

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